Vai ter uma “primeira vida” antes!
Eu jogava video games. E adorava (talvez um dia volte… sabe-se lá). Com aquele aparelhinho mágico (também conhecido como atari e, futuramente, mega drive), eu podia fazer coisas inimagináveis à época. Desde pilotar um avião amarelo sobre um rio azul, até incorporar a figura de um porco-espinho azul com sapatos vermelhos, ou seja, coisas que eu não podia praticar na vida real.
Aí surgiram jogos em que o objetivo é fazer aquilo que você faz na vida real. The Sims, acho, foi o precursor disso. E o Igor aqui se pergunta: qual a graça? Não seria melhor efetivamente viver em vez de jogar?
Com a internet banda larga, surgiu outra possibilidade: fazer aquilo que você faz na vida real com outras pessoas, e nasceu o Second Life. Nesse joguinho de computador, desocupados passam horas conectados fazendo coisas absolutamente banais: ir em festas, ir ao bar, comprar terrenos, etc. Quase uma Matrix.
Coisa de crianças cujos pais proíbem o convívio com o mundo exterior? Aparentemente não, já que não só rola muito dinheiro pelo Second Life (sim, pessoas gastam dinheiro real para comprar terrenos virtuais… vai entender), como empresas e até países começam a ter representações nesse “metaverso”.
Aí um advogado tem a seguinte idéia: abrir um escritório no Second Life. Pode? Respondendo a uma consulta formulado por esse advogado, o Tribunal de Ética da OAB/SP disse que não, invocando uma carambada de princípios, como a pessoalidade, o sigilo, etc (leia a íntegra do acórdão).
E o pior é que o adeva em questão nem é um qualquer… parece, segundo informações de seu site, ser um sujeito bem conceituado, com exercício acadêmico e profissional voltado para o direito digital (o que me leva a crer que a idéia não deve ser tão absurda assim).
Todavia, fica a pergunta: qual o benefício de se ter um escritório no SL? Captação de clientes e propaganda? Só pode, já que todo o resto se consegue satisfatoriamente com telefone, msn, chats e outras tecnologias com as quais os clientes, de regra, já estão habituados.
Bem… talvez existam controvérsias jurídico-virtuais relativas exclusivamente ao SL… mas aí pára o mundo que eu quero descer…
Referências:
Info & Lei (onde encontrei a notícia)
Blog do advogado esse
First Life (ótima paródia do Second Life de onde tirei a imagem acima)
Se você gostou deste post, escreva um comentário e/ou cadastre-se em nosso feed.
Comentários
Parabéns pelos posts, é a primeira vez que deixo um comentário, mas acompanho já a algum tempo seu blog e o dos informativos!
Ainda sobre internet, blogs e onde isso tudo vai parar (vai saber né…), vale um confere nesses dois links:
http://direitoetrabalho.com/2007/08/hei-estadao-o-macaco-esta-certo/ -> conheci inclusive através de algum post seu;
e http://br.youtube.com/watch?v=xj8ZadKgdC0 -> uma interessante - e muito bem produzida - paródia disso tudo!
Saudações!
Qual o benefício de se ter um escritório no SL?
Bem, se partirmos do ponto em que o indivíduo paga pra incrementar seu avatar, paga para adquirir terrenos e casas, vai a festas… logo vai acabar encontrando seu avatar “alma gêmea”.
Vai namorar e querer casar. Vai ser uma cerimônia linda, para qual todos os avatares amigos serão convidados!
E então… o divórcio! Nada como um advogado nessa hora!
Afinal, como fica o patrimônio e as “expectativas” depositadas na relação?
É preciso ter visão de mercado.
Isso tudo é um absurdo, mas as pessoas fazem absurdos. Como comprar Linden Dólares com seu cartão de crédito internacional.
Bom, mas eu também achava o orkut um absurdo e agora estou lá…
A comunicação é feita cada vez mais através de meios digitais, como disse no post lá no Info & Lei, se a pessoa pretende fazer uma consulta por estes meios, conhecendo os riscos, que mal há?
Considerando que o second life tem gerado discuções jurídicas no mundo real, como no caso Bragg versus Linden Research(http://conjur.estadao.com.br/static/text/56679,1), então acho que deve haver maneiras de se permitir sim que a pessoa receba assessoria também pelo mundo virtual. Como disse o Ostrock, desde que a pessoa conheça os riscos.


A consulta que formulei ao Tribunal de Ética da OAB teve por objetivo conhecer a opinião da entidade a respeito dessa possibilidade, tendo em vista que já há um escritório de advocacia no Second Life e outros profissionais pretendiam saber se isso seria ou não possível.
Como ninguém se entusiasmou com a idéia de saber a posição da OAB, tomei a iniciativa de formular a consulta. Já esperava pela resposta, com a qual concordo integralmente, por sinal.
Ainda que a resposta fosse positiva, dificilmente tomaria a iniciativa de efetivamente abrir o mencionado “escritório” no Second Life, por entender, assim como você, que basta nossa “primeira vida”.
Em suma, o objetivo da consulta era saber a posição do TED-I da OAB/SP sobre o tema.